Teodoro é um pobre funcionário público que suspira por uma vida melhor. Numa noite, ao ler um livro antigo, descobre uma lenda segundo a qual um simples toque de uma campainha, tocada a uma certa hora, mataria um homem muito rico, algures na China, e que tal gesto traria ao seu assassino fama e fortuna. A lenda torna-se real quando, ao acabar de ler tais palavras, lhe surge o Diabo em pessoa, oferecendo-lhe a campainha. A decisão de Teodoro acabará por atormentá-lo de tal maneira que o levará a embarcar numa viagem pelos confins da Ásia à procura das consequências dos seus atos e da sua própria redenção. No fundo da China existe um mandarim mais rico que todos os reis de que a fábula ou a história contam. Dele nada conheces, nem o nome, nem o semblante, nem a seda de que se veste. Para que tu herdes os seus cabedais infindáveis, basta que toques essa campainha, posta a teu lado, sobre um livro. Ele soltará apenas um suspiro, nesses confins da Mongólia. Será então um cadáver: e tu verás a teus pés mais ouro do que pode sonhar a ambição de um avaro. Tu, que me lês e és um homem mortal, tocarás tu a campainha? Publicado em 1880, este livro Queirosiano do género do Fantástico e Fantasia é uma obra quase inédita dentro do trabalho literário de Eça de Queirós; um escritor mais conhecido e popularizado pelos géneros do Realismo e do Naturalismo literário. Este género do Fantástico, hoje em dia muito popular, era considerado, no final do século XIX, como um género literário menor, pela maior dos escritores da época que se dividiam entre a defesa da literatura como meios de defesa e inculcação de valores morais (os velhos escritores românticos) e os que defendiam a literatura como arma critica e denúncia dos males sociais (os jovens escritores do Realismo-Naturalismo). O facto desta obra não se encontrar em nenhum desses géneros só mostra o quanto Eça era um escritor polivalente e não restringido a parâmetros literários. Ainda assim Eça foi alvo das mais diversas críticas pelos seus jovens companheiros que o acusaram de se afastar da estética realista em favor da pura fantasia; talvez por essa razão Eça não tenha incorrido mais neste género, exceto em ocasionais contos que escreveu para jornais. A inspiração para esta obra surgiu-lhe, curiosamente, enquanto trabalhava em Cuba como Cônsul de Portugal, e que tinha como principal função defender os direitos dos chineses macaenses (na altura Macau ainda era uma colónia Portuguesa) que vinham trabalhar nas fazendas de café dos países da América do Sul, tal como muitos outros asiáticos, tanto chineses como japoneses. A obra não é, contudo, nenhuma critica social ou exposição sobre a exploração a que estes trabalhadores eram submetidos pelos fazendeiros sul-americanos. Eça apenas se inspirou na cultura de um povo com quem lidou para descrever, de forma fantasiosa, situações e lugares que nunca chegou a visitar e a conhecer; e este é o grande ponto fraco da obra: Ao contrário da obra “A Relíquia” que é, em parte, passada na Palestina, com descrições factuais e conclusões precisas, pois Eça, efetivamente, visitou e conheceu a Palestina; “O Mandarim” é uma viagem de fantasia cheio de descrições construídas a partir de relatos de terceiros, de leituras e, principalmente, da livre imaginação e das ideias estereótipas de Eça que, que nos conduz a uma China colorida, bastante bizarra, em que encontramos uma espécie de súmula da visão europeia do que seria o Extremo-Oriente. Apesar disso, acaba por ser uma fantástica viagem ao chamado “Império do Meio” o que constitui o núcleo do texto e o mantém vivo e interessante. É também a viagem que singulariza esse texto na literatura portuguesa do final do século, fazendo dele um delicioso capítulo na história do exotismo orientalista que percorreu toda a cultura europeia nos inícios do século passado. DOWNLOAD E-BOOK O Mandarim Download EPUBDownload PDFDownload MOBI Nota: Um ficheiro ePub é utilizado tanto pelos dispositivos móveis Apple (Ipad, Iphone), como para os dispositivos Android. Um ficheiro PDF é compatível com uma grande variedade de plataformas. Um Ficheiro MOBI é sobretudo ideal para e-readers, em especial o Kindle. Também a ler: História Alegre de Portugal Os Maias O Piolho Viajante A Relíquia
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