
A história de Amaro, um jovem padre que entrara para a vida eclesiástica graças à imposição de uma nobre beata que o tinha sob sua guarda. Sem vocação nenhuma, o jovem padre aceita o seu destino passivamente, abraçando a sua profissão sem entusiasmo. Destacado em Leiria, conhece Amélia que lhe desperta a paixão e a luxúria, levando-o a trair os votos de castidade proferidos na sua ordenação.
E diante daquelas dificuldades que se erguiam como as muralhas sucessivas de uma cidadela, voltavam as antigas lamentações: não ser livre! não poder entrar claramente naquela casa, pedi-la à mãe, possuí-la sem pecado, comodamente! Por que o tinham feito padre? Fora “a velha pega” da marquesa de Alegros! Ele não abdicava voluntariamente a virilidade do seu peito! Tinham-no impelido para o sacerdócio como um boi para o curral!
Grande marco do Realismo em Portugal, publicado originalmente em 1875, O crime do padre Amaro é a obra mais polémica de Eça de Queirós que levou a que houvesse grandes protestos por parte da Igreja Católica, não só dentro de Portugal, mas também do próprio Vaticano.
É a obra de Eça que denuncia a corrupção dos padres, que manipulam a população a favor da elite, e a questão do celibato clerical. A obra caracteriza-se pelo combate ao idealismo romântico que se estabelecia até então, em prol de uma visão mais crítica da sociedade e Eça de Queirós terá aproveitado o facto de ser nomeado administrador do concelho de Leiria para aí durante seis meses, conhecer e estudar aquele que seria o cenário de O Crime do Padre Amaro.
O romance, o primeiro de Eça a ser publicado em livro, enquadra-se perfeitamente na revolução literária europeia da época. Naquela altura (na segunda metade do século XIX), o Ocidente vivia um período de grandes transformações, com a Segunda Revolução Industrial. O cientificismo tinha passado a predominar a mentalidade social, com novas correntes filosóficas e teorias, entre as quais o positivismo de Comte, o determinismo de Taine, o evolucionismo de Darwin e o socialismo científico de Marx e Engels. Essa perspectiva racionalista e materialista levou os intelectuais a estudar o impacto social da industrialização e do liberalismo. Daí adveio a substituição do romance de entretenimento pelo romance de tese, que visa descrever e explicar os problemas sociais à luz das novas ideias. Passou a haver na literatura a crítica, muitas vezes feroz, às instituições que servem de base à sociedade burguesa, como o Estado, a Igreja e a família.
Portugal, tal como outros países europeus de forte pendor religioso, sobretudo os do sul da Europa, sofria com um atraso industrial e ideológico face outros países da Europa do Norte, nomeadamente, a Inglaterra e a França e é em função disso que a partir dos finais do século XIX se assiste em Portugal uma enorme mobilização de jovens que ansiavam por mudanças radicais na sociedade. É nesse contexto que Eça de Queirós se destaca, como o mais hábil autor de todos os escritores defensores da estética do realismo-naturalismo. Inspirado pelos franceses Gustave Flaubert e Émile Zola, Eça escreve O Crime do Padre Amaro (e mais tarde outros romances de crítica) de modo a atacar a corrupção do clero e a hipocrisia da média burguesia portuguesa numa tentativa de agitar a sociedade, pôr à luz os seus podres e obriga-la a mudar.
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