
Quando a sua pátria e a sua religião se veem ameaçadas, Eurico, um jovem guerreiro de origens humildes, disfarça-se num misterioso cavaleiro negro e junta-se ao exército de um dos reinos visigóticos para combater os mouros que estão a invadir a Península Ibérica, e quando descobre que o seu amor, a princesa Hermengarda, foi raptada pelas forças inimigas, tudo fará para a salvar.
Eurico era a última e tenuíssima esperança que bruxuleava nos horizontes do Império Godo: como estrela cadente que se imerge nos mares, aquele esforço brilhante se desvanecera na escuridão que tingia as águas do Chrysus!
Publicado em 1844, esta história de um amor impossível durante a queda dos reinos Visigodos da Península Ibérica, tem a particularidade de ser um dos primeiros romances históricos da literatura portuguesa e ainda é o melhor representante literário deste género pois é a magnum opus de Alexandre Herculano, o autor que introduziu esse género em Portugal e na língua portuguesa.
Sendo um género muito em voga hoje em dia, custa a crer que o Romance Histórico só tenha surgido no século XIX, mas a verdade é que até aí a literatura pouco relevo dava a narrativas passadas em tempos remotos, preferindo incorrer na descrição de eventos, personagens e situações da sua contemporaneidade. É só a partir dos ínicios do século XIX que começaram a surgir autores, um pouco por toda a Europa, que passaram a olhar para o passado como uma fonte fértil de histórias que podiam ser usadas como matéria referencial para obras literárias.
Como género literário, o Romance Histórico caracteriza-se essencialmente por reconstituir os componentes sociais, axiológicos, jurídicos e culturais que definiram as épocas em que as narrativas incorrem, apesar da narrativa principal poder ser, ou não, ficcional. Isso implica a que o autor tenha que ter um profundo conhecimento da época que escreve, caso contrário está a trair o género e a seguir o campo fantasioso.
No caso de Alexandre Herculano, os seus romance foram sempre elaborados com sustentação documental. Como historiador e bibliotecário real que era, Herculano tinha acesso a imensos volumes e manuscritos de carácter histórico e sabe-se que passou muito tempo da sua vida em salas da Torre do Tombo e de bibliotecas perdidas de antigos conventos para poder realizar o “Portugaliae Monumenta Historica”, o maior compêndio histórico de documentos e registos (antes perdidos ou dispersos) que contam, a seu modo, a história de Portugal.
Foi num dessas muitas leituras que Herculano se deparou com a crónica-balada de Eurico e Hermengarda, oriunda do século VIII. Pegando nessa história romântico-trágica e tomando como cenário de fundo o fim da monarquia visigótica na Península Ibérica, Herculano acabou escrever sobre uma época que, de modo geral, é passada muito em claro quando se trata estudar a História de Portugal, possivelmente por ser anterior à fundação do país.
Após a queda do império Romano, a Europa viveu um período de conturbadas transformações sociais, marcada sobretudo por imensas vagas migratórias e pelas contínuas lutas na procura de se estabelecer novos reinos e novas fronteiras. A chamada “Paz Romana” desapareceu e as antigas “províncias romanas” espalhadas por toda a Europa foram substituídas por vilas fortificadas, mais adequadas a tempos aguerridos. A única coisa que permaneceu do império romano foi a religião cristã que os romanos souberam difundir por toda a Europa e que acabaria por marcar fortemente esta nova época europeia: a idade média.
Na Península Ibérica, depois de anos de lutas entre vários grupos, muitos vindos em vagas migratórias provenientes do norte, como os Suevos ou os Vândalos, acabariam por ser os Visigodos a dominar a região e a partir dos quais se fundariam os primeiros grandes reinos medievais Ibéricos. Estes reinos viviam em constante desentendimento e disputa por terras e foi nessa desunião e rivalidade que os muçulmanos do norte de África viram a oportunidade, em 711, para invadir a Península Ibérica.
De facto, foi pela cega ambição do rei visigótico Ágila II, que foi pedir ajuda militar a Ceuta (norte de África) para derrotar Rodrigo I, rei da Lusitânia, o seu maior rival, que deu amostras aos mouros do quanto os reinos ibéricos eram fracos separados. Esta ambição custou caro a todos os reinos visigóticos que se viram desaparecer, um a um, à medida que os mouros iam conquistando terras. Rodrigo foi o último rei visigótico a dar luta e a sucumbir em batalha às mãos dos mouros. A sua morte tornou-o lendário pois tornou-se o símbolo de uma Era da Península Ibérica que se perdeu de forma trágica. Curiosamente é um antigo rei lusitano a que Espanha dá mais relevo, sendo quase completamente ignorado em Portugal.
Os cristão sobreviventes viram-se forçados a fugir das suas terras e a refugiar-se no Norte da Península fundado um novo reino: o Reino das Astúrias, de onde nasceriam depois outros vários reinos (sendo Portugal um deles), que partiriam, durante a chamada Reconquista, a conquistar território perdido e a expulsar os mouros.
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